quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sua Voz

Hoje acordei porque ouvi sua voz no despertador que me acordava.

Levantei, coloquei minha roupa para trabalhar, olhei para todos os cantos do quarto e saí.

Saí para não chorar na sua ausência.

Mesmo assim você estava em todos os momentos do meu dia.

Senti sua beleza na flor que acariciei.

Senti você na criança que beijei.

Senti você passar quando uma lágrima escorreu dos meus olhos,

Gritando de saudades.

Senti você no carinho da pessoa que abracei

E me disse baixinho: "Não chore".

Senti você pegar na minha mão no momento em que buscava

Outra lágrima que escorreu em busca de uma resposta.

Senti você beijar suavemente meus lábios

E me abraçar com teus braços fortes.

A noite chegou.

Senti você adormecer comigo

Quando meus olhos se fecharam em busca de sonhos

Que me levariam mais perto de você.

Já cansado pelo cansaço de chorar,

Tentei despertar para encarar e aceitar o novo dia,

Mas novamente ouvi sua voz no despertador que me acordava.

Doce Beijo

Duas bocas unidas em um beijo

Nunca pensam em separar-se

Tendo a lua como cúmplice

Derramando sobre os amantes luz fulgurante

 

Tinha tanto a dizer-te

Mas teu beijo doce me fez calar

E sentindo seus lábios macios

Sinto o amor chegar

 

Já se fazia manhã

E a aurora chegando lentamente

Avisando que é hora de ir embora

E em mim um desejo de beijar-te eternamente

 

E se esse desejo ganhasse da razão

Eu ficaria sobre a luz da lua

E uniria com este beijo

Não só duas bocas apaixonadas

Mas duas almas entrelaçadas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SAUDADE

Você é o cálice; 
Eu, o orvalho! 
Se me não vales, 
Eu o que valho? 

Eu em você caí 
E me acolheu. 
Torno-me um raio 
De luz celeste! 

Você é o colo 
Onde me acolho, 
E acho consolo, 
Mimo e regalo: 

Só quem lá anda 
Sem achar onde 
Sequer expanda 
A dor que esconde; 

Esse é que sabe 
O meu tormento, 
Mal se me acabe 
Aquele alento! 

Ah, nuvem branca 
Ah, nuvem de ouro! 
Ninguém me estanca 
Amargo choro; 

E assim que passes 
Mesmo de longe... 
Vê nestas faces 
Se há choro amargo. 

Você é o norte 
Que me desvia 
De ir dar á morte 
Todos os dias; 

A larga fita 
Que do alto monte 
Cerca e limita 
O horizonte! 

Você é a praia 
Que eu necessito! 
Você é a raia 
Deste infinito! 

Se há uma gruta 
Onde me esconda 
Á força bruta 
Que traz a onda; 

Á força imensa 
Desta corrente 
Da alma que pensa, 
Alma que sente; 

Se há uma vela, 
Se há uma aragem, 
Se há uma estrela, 
Nesta viagem... 

É quem eu quero, 
É quem adoro! 
E por quem chamo! 
E por quem espero!

Atração

Meus olhos sempre inquietos 
Que posso até dizer, 
Só acham na alma objetos 
Que os possam entreter; 

Meus olhos...  coisa rara! 
Porque hão de em ti parar 
Como a corrente pára 
Em encontrando o mar!? 

E penso nisto,
Mas é tão natural 

Cair-se no abismo 
De uma beleza tal!... 

Olhei!... Foi indiscreta 
A vista que te coloquei. 
A pobre borboleta 
Viu luz... caiu na luz! 

Uma atração mais forte 
Que toda a reflexão, 
(É fato, é sina, é sorte!) 
Me arrasta o coração... 

Sempre!

Pensa que não te vejo?

Gravei tão vivamente na alma doce.
Tua imagem bela,
que eu quisera deixar de contemplar,
só que fosse um momento,
mas não posso, não consigo! 


Fuja e escondes de mim, e que importa?
Mais fundo ainda os seus traços! 
Realça o teu retrato!
E não me culpe! 

Culpa antes a ti!...
Sigo os teus passos!... 

Te vejo sempre!...
Te trago comigo!... 

A Paz e a Lua

Eu quero a Paz, a grande Paz

da Lua sozinha no céu.

A paz sem a menor lembrança,

a paz de quem nunca viveu.

 

A Paz que reina nos domínios

onde não há musgos nem germes.

E não há sulcos nos caminhos.

E há seiva debaixo da neve

 

A Paz sem devaneios, dentro

dos seus nítidos horizontes.

A Paz dos cristais no silêncio

sem nenhuma idéia de som.

 

A Paz que precedeu as sombras,

a que antes das tréguas nasceu.

A que nos tempos não se encontra,

a que foi desejo de Deus.

 

Eu quero a Paz com perfeição

de flor e orvalho, eu quero a Paz

ao alcance das nossas mãos,

com a substância e as cores do nácar.

 

Porém eu quero a Paz acima

de qualquer sopro humano- ou mácula.

Com delicadezas de vime

guardada de todo contato.

 

Assim como a Lua sem noite

e sem espaço, de tão leve,

miragem que se desvanece

em frente ao anjo anunciador.

 

A Lua sem anjo ou demônio,

alheia aos mares que descobre

no caminho da solidão

para lá da vida e da morte.

Eu quero a lua toda pura,

a lua sem vendas nos olhos.

Enquanto a Terra em febre estua,

a Lua completa, e não cora.

SAUDADE

Todas as pessoas 
que passam pelas nossas vidas 
deixam as suas marcas
num ir e vir infinito...

As que permanecem ...
é porque simplesmente
doaram seus corações para entrar 
em sintonia com a nossas almas.

As que se vão ...
nos deixam um grande aprendizado....
Não importa que tipo de atitude tiveram,
mas com elas aprendemos muito...

Com as vaidosas e orgulhosas aprendemos 
que devemos ser humildes....
Com as carinhosas e atenciosas aprendemos 
a ter gratidão....
Com as duras de coração aprendemos 
a dar o perdão....

Com as pessoas que passam 
pelas nossas vidas 
aprendemos também a 
Amar
e de várias formas....
com amizade, com dedicação, com carinho,
com atenção, com atração, 
com paixão ou com desejo ...

Mas nunca ninguém nos ensinou
e nunca aprenderemos
como reagir diante da "SAUDADE"
que algumas pessoas deixam em nós...